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A criatividade pede passagem

O mundo busca mentes criativas. Crianças nascem curiosas, inventivas. Os pesquisadores George Land ...

O mundo busca mentes criativas. Crianças nascem curiosas, inventivas. Os pesquisadores George Land e Beth Jarman realizaram uma pesquisa que comprovou a inata curiosidade infantil.
O estudo se baseou nos testes usados pela Nasa para seleção de cientistas e engenheiros inovadores. Segundo os resultados da pesquisa, 98% das crianças de 5 anos de idade são gênios criativos e, aos 10 anos, somente 30% delas conservam esse talento. O número se reduz a 12% de mentes altamente criativas aos 15 anos e cai drasticamente para 2% após os 25 anos. Os pesquisadores concluíram que o comportamento não criativo é
aprendido. Segundo o especialista em educação britânico Ken Robinson, o atual sistema educacional mata a criatividade. Já em 2006, em uma conferência pelo TED Talk, ele afirmou que o sistema educacional atual, muito rígido e com conteúdos acadêmicos tradicionais, está educando as pessoas para serem menos criativas.


Por outro lado, vemos um mercado de trabalho que cada vez mais procura pessoas criativas. Em 2020, a criatividade será a terceira habilidade mais exigida no mercado de trabalho, atrás apenas da capacidade de solucionar problemas complexos e do pensamento crítico. Os dados são do relatório
The Future of Jobs (O Futuro dos Empregos), um estudo do Fórum Econômico Mundial, que concluiu que habilidades como iniciativa, pensamento crítico e originalidade estão se valorizando à medida que as tecnologias e as automações avançam.


Dados não faltam para crermos que a criatividade só irá ganhar mais espaço. Um estudo da IBM realizado em 2010 com CEOs mostrou que a
criatividade é a qualidade número um necessária às lideranças. Uma pesquisa do LinkedIn (As habilidades que as empresas mais precisam em 2019 – e como aprendê-las, LinkedIn Learning), maior rede social voltada a contatos profissionais, realizada em 2019, comprova essa informação. Entre
as habilidades mais demandadas pelas empresas, estão a criatividade em primeiro lugar, seguida por habilidades como persuasão, colaboração, adaptabilidade e gestão do tempo. Mas qual o caminho para termos adultos criativos? O ex-presidente americano Barack Obama esteve no Brasil em maio passado, em um encontro de negócios voltado para a inovação digital, e afirmou que é improvável que um país tenha sucesso sem investir nas pessoas. “As máquinas vão fazer os trabalhos manuais com muito mais eficiência do que os humanos, mas só as pessoas podem ser criativas.


Os países que ensinarem suas crianças a serem criativas e a pensar criticamente serão os mais bem-sucedidos economicamente”, disse Obama,
que também aposta na diversidade como o caminho para um país decolar: “Criatividade e imaginação acontecem quando pessoas de diferentes
origens se encontram”, afirmou.


Mais do que apostar na Educação, é preciso criar um sistema educacional que prepare seus alunos para o pensamento crítico, isto é, não só
para absorver informações, mas para analisar criticamente aquelas que recebem. Uma escola centrada em alunos que simplesmente ouvem o que o professor fala decididamente não é a que prepara pessoas críticas e criativas. É papel da escola oferecer possibilidades criativas de aprendizagem a seus alunos. “Os aspectos da criatividade, do desenvolvimento e da aprendizagem fazem parte da função cognitiva fundamental humana que é a inteligência. O faz de conta que a criança realiza, a princípio uma brincadeira que muitos adultos não valorizam, é uma construção lúdica que permeia o crescimento e a maturidade emocional da criança para um pensamento abstrato e criativo”, explica a Bióloga, Psicopedagoga e mestre em Psicanálise Marta Relvas.


Oferecer possibilidades de espaços e oportunidades criativas funciona como estímulos externos para promover a aprendizagem. “A criatividade é ‘prima-irmã’ da curiosidade e da descoberta. Todos os seres humanos, com seus processos cognitivos, são capazes de resolver situações complexas. Começa na infância a motivação pela descoberta”, pontua Relvas. Que a escola dê espaço para a criatividade, evoluindo os processos de aprendizagem, e não mate essa vontade de descobrir.

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