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Aprendizagem Criativa: o que é e quais são seus objetivos

Como você acha que funcionam os laboratórios mais criativos e inovadores do mundo? Se você imagin...

Como você acha que funcionam os laboratórios mais criativos e inovadores do mundo? Se você imaginou um ambiente asséptico, branquinho, com cientistas vestindo jalecos brancos e máscaras, talvez seja a hora de rever suas ideias sobre inovação. Muitas universidades, como a UFPel e a Ufersa, já estão buscando aderir ao conceito de Aprendizagem Criativa para gerar inovação. 

Mas o que é Aprendizagem Criativa? De acordo com Mitchel Resnick, Professor e pesquisador de Aprendizagem e Coordenador do Lifelong Kindergarten do Massachusetts Institute of Technology (MIT), a Aprendizagem Criativa tem a ver com processos que acontecem num jardim de infância ou na Educação Infantil.

“Pense em um jardim de infância tradicional. As crianças estão criando coisas colaborando umas com as outras, como se fosse uma brincadeira. Elas estão construindo castelos com blocos de madeira ou pintando com os dedos. Nestas atividades, estas crianças não estão apenas se divertindo, mas também aprendendo sobre processo criativo e se desenvolvendo como pensadores criativos”,  sugere o professor Resnick no vídeo de introdução do curso sobre aprendizagem criativa do Lifelong Kindergarten

O pesquisador ainda sugere que este método intuitivo e colaborativo usado pelas crianças para descobrir coisas novas é um catalisador de conhecimento e inovação.

O diretor da Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa e pesquisador do MIT Leo Burd complementa a definição de Aprendizagem Criativa em entrevista para a revista Época Negócios: “É uma filosofia de educação que promove o desenvolvimento de indivíduos que pensem e atuem de forma criativa, colaborativa e sistemática. Foi proposta por Mitchel Resnick do MIT Media Lab e inspirada nas ideias do educador Seymour Papert”. 

De acordo com Burd, aprendemos o tempo todo por meio da experiência e da interação com o mundo real. Ou seja, o ensino pode ser muito mais efetivo se alunos forem estimulados a descobrir soluções inovadoras por meio  da interação e com uma abordagem “mão na massa”.  O pesquisador ainda reforça que a criatividade precisa ser exercitada para se desenvolver. A partir disso, é possível desconstruir alguns mitos, tais como:

Muito pelo contrário. Se como disse Leo Burd a criatividade precisa ser exercitada, todos podem desenvolvê-la e, para que ela se mostre, bastam algumas atividades que agucem a habilidade. Despertar a criatividade parte de exercícios simples como observar, testar, analisar usos das coisas, construir protótipos e testar de novo. Por meio de ações simples como estas é possível gerar uma série de insights e ideias inusitadas, óbvias ou novas para resolver problemas. Essas atividades simples guiam profissionais como designers e numa forma mais elaborada até virou método de inovação, o Design Thinking. Além disso, esses passos podem (e devem) ser implantados facilmente nas salas de aula.

Não necessariamente. A criatividade serve a muitas áreas, não só para pintar telas, escrever música ou fazer prosa. Criatividade é um recurso útil para resolver melhor desde problemas triviais do cotidiano até situações complexas que exigem planejamento e ponderação. 

Engenheiros de computação, matemáticos, web designers e muitos outros profissionais precisam ser criativos diariamente. E, em um mercado de trabalho que tende a robotizar cada vez mais as funções repetitivas, as chamadas soft skills não só estão em alta como podem ser um diferencial no mercado de trabalho. A criatividade é uma destas qualidades apontadas como tendência pelo relatório global do LinkedIn neste ano.

Considerando esse cenário de constante mudança no mercado de trabalho, a aprendizagem criativa é uma abordagem fundamental para formar novas gerações mais versáteis, resilientes e capazes de resolver as questões de complexidade crescente. 

Os princípios da Aprendizagem Criativa

No primeiro capítulo do livro Lifelong Kindergarten: Cultivating Creativity through Projects, Passion, Peers, and Play (em tradução livre: “Lifelong Kindergarten: Cultivando Criatividade através de projetos, paixões, parcerias e pensar brincando”), o professor Mitchel Resnick, do MIT, explica que seu grupo de pesquisa estabeleceu um conjunto de quatro princípios orientadores para ajudar jovens a se desenvolverem como pensadores criativos, os famosos quatro Ps: Projetos, Parcerias, Paixão, e Pensar brincando.

Estruturar os projetos e estabelecer parcerias para concretizá-los é uma atividade indispensável para a Aprendizagem Criativa.

“Acreditamos que a melhor maneira de cultivar a criatividade é auxiliar as pessoas que estão trabalhando em projetos baseados em suas paixões, em colaboração com parceiros e mantendo o espírito da diversão”, descreve Resnick no livro. O pesquisador ainda acrescenta que a estrutura dos quatro Ps não é uma ideia assim tão nova, mas é o resultado de décadas de trabalho de diversos pesquisadores do mundo todo. 

Resnick reforça que os quatro Ps da Aprendizagem Criativa são aplicados no dia-a-dia do próprio laboratório no MIT como uma estrutura guia na hora de desenvolver novas tecnologias e atividades. Além de servir como abordagem para professores universitários, esta estrutura é muito útil para professores de Educação Infantil, de Educação BásicA e de Ensino Médio bem como para pais ou qualquer pessoa interessada em apoiar a aprendizagem criativa. 

Entenda o que cada um dos Ps significa nessa estrutura que visa despertar a aprendizagem criativa:

Projetos

Crianças aprendem melhor não apenas praticando, mas principalmente fazendo coisas por elas mesmas. Por meio  dos projetos, alunos passam a ter uma ideia sobre qual problema precisam solucionar. A partir dessa ideia de algo para resolver, elas passam a imaginar soluções e podem planejar o que fazer e criar protótipos, melhorando as ideias iniciais. 

Ao realizar um projeto, as crianças passam a ter ideia de quais passos precisam dar para produzir algo concreto, além de criar algo compartilhado e de terem a chance de chegar a uma resolução de problemas por elas mesmas.

Paixão

Este P tem a ver com trabalhar com algum projeto que tenha significado pessoal para o aluno. Quando se gosta do tema sobre o qual se está trabalhando e estudando, o envolvimento é maior. E, por consequência, a dedicação, a persistência e a profundidade na hora de trabalhar aumentam. 

Parcerias

As parcerias são parte fundamental na Aprendizagem Criativa, pois auxiliam no desenvolvimento de habilidades sociais como empatia, comunicação e respeito. Este P, estabelece uma ponte com um dos processos do Design Thinking, em que todos podem e devem comunicar suas ideias, sem nenhum tipo de filtro ou de autofiltro. 

Nesta metodologia, parte-se do princípio de que nenhuma ideia é tão ruim que não mereça ser dita/ouvida. É uma forma de estimular não só respeito mútuo e de criar um local de fala onde todos têm espaço, mas também de trabalhar a confiança das crianças.  

Pensar brincando

O quarto P amarra os três anteriores, estimulando estudantes a explorar e experimentar sem barreiras. Não há limites para imaginar soluções, construir protótipos, usar materiais diferentes. É uma ótima maneira de fazer com que ideias e respostas nunca antes imaginadas apareçam, já que o lúdico ultrapassa o limite do certo ou errado e incentiva as crianças a tentarem coisas novas.   

Como esse jeito de aprender chegou ao Brasil 

Entenda agora como a Aprendizagem Criativa se propagou por nosso país.

No Brasil, a Aprendizagem Criativa ganhou uma organização própria em 2015, quando foi criada a Rede Brasileira de Aprendizagem Criativa (RBAC). A entidade surgiu de uma parceria entre o Programaê (uma colaboração da Fundação Lemann com a Fundação Telefônica Vivo) e o Lifelong Kindergarten Group do MIT Media Lab.

Segundo o site da instituição, atualmente centenas de pessoas estão conectadas pela Rede em todo o país. São educadores, artistas, pesquisadores, empreendedores, alunos e outros interessados na implementação de ambientes educacionais mais práticos, criativos e interessantes nas escolas, universidades, espaços não-formais de aprendizagem e residências de todo o Brasil.

Uma vez a cada dois anos a RBAC promove a Conferência Brasileira de Aprendizagem Criativa. O evento é um espaço de encontro dessas pessoas interessadas em tornar a educação mais ativa, divertida, prazerosa e relevante para crianças e jovens no Brasil. A conferência conta com muitos eventos, como palestrantes convidados, mesas redondas, trocas de experiência, oficinas, mostras interativas e apresentações de pesquisas em andamento.  

Boas práticas de Aprendizagem Criativa 

A implementação de práticas de Aprendizagem Criativa pipocam pelo Brasil inteiro, muitas delas em parcerias com o projeto da Faber-Castell, a qual é pioneira no cenário brasileiro. Esse projeto foi criado em parceria com o engenheiro e pesquisador do MIT Media Lab para criar seu próprio Programa de Aprendizagem Criativa que se baseia nos 4Ps, mas avança para além deles. 

Conheça o espaço Faber-Castell, um ambiente construído para trabalhar a Aprendizagem Criativa na prática.

Este programa reúne estratégias conectadas à Base Nacional Comum Curricular (BNCC) do Ministério da Educação para estimular a inovação, a criatividade, a resolução de problemas e a diversão. Além disso, a Faber-Castell tem um espaço todo pensado e pronto para atender as crianças e estimular a criatividade delas. 

A Faber-Castell desenvolveu uma estrutura prática que serve para guiar educadores na hora de implantar a Aprendizagem Criativa na sala de aula. De forma resumida, o programa consiste em:

O Programa de Aprendizagem Criativa Faber-Castell foi executado pela primeira vez no Colégio Dante Alighieri, em São Paulo, e os relato dessa experiência e de outras escolas podem ser conferidos aqui.  

Se você quiser saber mais sobre esta iniciativa e deseja implantar a Aprendizagem Criativa na sua escola, basta clicar no botão abaixo e preencher o formulário no final da página. Conte para nós o que você acha desta abordagem que pretende formar crianças mais seguras e aptas a resolver criativamente os desafios do futuro! 

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