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7 ideias para trazer a Aprendizagem Criativa para as suas aulas em 2024

Que tal começar o ano com mais atividades de aprendizagem criativa nas suas aulas? A partir de estratégias, práticas e reflexões que foram compartilhadas por educadores no Blog Faber-Castell EDUX, listamos algumas ideias para ajudar você em 2024. Explore essas dicas e prepare-se para colocar a mão na massa. 

Invista em um planejamento pedagógico mais criativo 

O planejamento pedagógico é um dos primeiros passos para trazer a aprendizagem criativa de forma intencional para as suas aulas. Esse processo não deve ser encarado como uma atividade burocrática, mas como uma oportunidade para reunir a equipe pedagógica da escola em um processo de criação colaborativa, com uma abordagem inovadora e conectada com a BNCC (Base Nacional Comum Curricular).

Trabalhe com diferentes linguagens 

Slam, cordel, fotografia, música, teatro. Todas essas linguagens podem servir de apoio para o desenvolvimento de um projeto com a sua turma. O importante é que os estudantes sejam envolvidos nas atividades e tenham a possibilidade de experimentar diferentes caminhos, conforme seus interesses e paixões.

Reaproveite materiais 

Que tal estimular a criatividade dos estudantes e ainda contribuir com a preservação do planeta? Os materiais recicláveis podem ser ótimos aliados para dar vida aos protótipos dos estudantes. A professora Débora Garófalo, primeira sul-americana a ser finalista do Global Teacher Prize, nos contou como usou o lixo eletrônico como matéria-prima para as aulas de robótica.  

Acervo Pessoal: Débora Garófalo

Use a tecnologia como aliada

As novas tecnologias podem ser aliadas no desenvolvimento de projetos de aprendizagem criativa, mas é importante ter um olhar crítico sobre elas. Para o professor Doug Alvoroçado, consultor educacional e coordenador de Inovação e Tecnologia da Secretaria Municipal de Educação do Rio de Janeiro, educação e entretenimento podem e devem ser aliados, mas é fundamental ter intencionalidade pedagógica ao selecionar uma nova ferramenta para criação de jogos ou atividades interativas

Construa cenários e micromundos de aprendizagem 

A ambientação da sala de aula é outra estratégia que ajuda a estimular a criatividade dos estudantes. Com diferentes cenários, sons, cores e objetos, os estudantes podem ser transportados a um novo universo, como o que foi criado pela professora Vânia Grigório, da Escola Municipal Rubem Costa Lima, em Nova Lima (MG).  Com tecidos, desenhos, vídeos e uma nova maneira de organizar as carteiras, ela simulou uma viagem de avião com os estudantes

Acervo: Faber-Castell Edux

Estimule a busca de soluções para desafios da comunidade 

Valorize a autonomia dos estudantes e incentive que eles busquem soluções criativas para desafios reais da sua comunidade. No Centro Educacional Nossa Senhora Auxiliadora, em Campos dos Goytacazes (RJ), por exemplo, os estudantes desenvolveram lápis ecológico para reciclar materiais usados pela comunidade

Torne a aprendizagem visível 

Para garantir uma experiência de aprendizagem mais enriquecedora, é fundamental não apenas planejar e executar atividades junto aos estudantes, mas também encontrar estratégias para tornar a aprendizagem criativa visível. Uma abordagem eficaz para alcançar isso é adotar rotinas de pensamento, as quais permitem evidenciar com maior clareza os conhecimentos adquiridos. Ao fragmentar o pensamento em ações pontuais, é possível identificar conceitos, descobertas e desafios, e refletir sobre a prática educacional de forma mais aprofundada.

Autora: Marina Lopes

* Conteúdo produzido e editado pelo Porvir.

Brincar ao ar livre traz benefícios para as crianças

Brincar ao ar livre, com amplo espaço para movimentos e estímulos variados, é uma maneira das crianças se desenvolverem, aprenderem e, claro, se divertirem também. Para os pequenos, todo tipo de brincadeira é proveitoso, mas aquelas que ocorrem fora de ambientes fechados também estimulam o contato com a natureza, a cidade e a sociedade. 

Dentre os principais benefícios do brincar ao ar livre, destaca-se o estímulo à autonomia. “Não é um espaço controlado,  onde o tempo, os materiais e muitas vezes até a atividade estão pré-definidos. Pelo contrário, é um ambiente aberto, que permite a exploração sensorial, a resolução de problemas e o aprendizado de diversas habilidades, inclusive de limites”, explica Ana Cláudia Arruda Leite, assessora de infância e educação do Instituto Alana.

Brincar é assunto sério – e cabe aos adultos dar condições para que as brincadeiras ao ar livre aconteçam. Não faltam comprovações da importância desse tipo de atividade. “Estudos e pesquisas mostram os diversos benefícios que a natureza traz para as infâncias, tais como: a criatividade, a concentração e a memória, o equilíbrio emocional, o desenvolvimento dos sentidos (tato, paladar, visão, olfato e audição), a criação de vínculos afetivos saudáveis, o consumo consciente, o sono, o bem-estar físico e a saúde como um todo”, elenca Ana Cláudia.

“Estudos e pesquisas mostram os diversos benefícios que a natureza traz para as infâncias, tais como: a criatividade, a concentração e a memória, o equilíbrio emocional, o desenvolvimento dos sentidos, a criação de vínculos afetivos saudáveis, o consumo consciente, o sono, o bem-estar físico e a saúde como um todo”

Crédito: CEI Cantinho Tia Isaura

Pode não parecer, mas os conhecimentos que as crianças adquirem nesses momentos ajudam até nas matérias escolares. “A experiência ao ar livre pode favorecer a aprendizagem de diferentes conteúdos relacionados ao currículo da educação básica, como geografia, geometria, biologia, artes, e favorecer a educação climática e para a sustentabilidade a partir de vivências reais”, explica a especialista do Alana.

Portanto, a lição de casa para as famílias é permitir que, no período das férias escolares, as crianças passem mais tempo em contato livre com a natureza, em vez de deixá-las na frente das telas. Nem sempre isso é fácil, reconhece Ana Cláudia. “É muito presente em nossa sociedade a cultura do medo, que leva à associação da rua e dos espaços ao ar livre como perigosos, não cuidados, vistos como “espaços de ninguém”, diz. 

Existem ainda outras questões culturais que afastam os pequenos do mundo exterior, como a crença de que uma criança quietinha e arrumadinha seja um padrão a ser seguido, constata Érika Mayume Ozahata, diretora do Centro de Educação Infantil Cantinho Tia Isaura, da rede municipal de São Paulo. “Há uma ideia de que a pessoa é boa mãe se seu filho for bem comportado, não fizer barulho, não quebrar as coisas. Nossa cultura familiar vem carregada de estereótipos sobre as crianças”, defende a pedagoga.

No CEI, as crianças passam muito tempo explorando a natureza e o parque. Mas essa opção não é a mais “fácil”, seja para as educadoras ou para as famílias, porque elas se sujam, estragam as roupas, ganham arranhões, cortes, galos, etc. “Pode parecer mais simples deixar as crianças confinadas, evitando que elas se machuquem. Mas, quanto mais as limitamos, mais elas se machucam na hora de ir ao parque, porque ficam eufóricas e não sabem lidar tão bem com o espaço”, conta sobre sua experiência. 

“Pode parecer mais simples deixar as crianças confinadas, evitando que elas se machuquem. Mas, quanto mais as limitamos, mais elas se machucam na hora de ir ao parque, porque ficam eufóricas e não sabem lidar tão bem com o espaço”

Crédito: CEI Cantinho Tia Isaura

Portanto, quanto mais as crianças vão explorando – e se machucando – mais vão aprendendo a ter cuidado e, então, machucam-se menos. “Quanto mais liberdade, mais habilidades elas ganham. O papel do adulto é ficar por perto, observar os movimentos. Se fazem algo perigoso, temos que estar a postos; se conseguem fazer o que queria, ótimo. Se não, temos que reforçar a importância da atenção e do cuidado, mas não limitá-la”, diz Mayume. 

A diretora conta que, para conseguir dar conta de olhar várias crianças curiosas, destemidas e cheias de energia na escola, o trabalho em conjunto é essencial: há um combinado entre a equipe que cada criança é responsabilidade de todos. Assim, não importa de quem é o aluno, se uma criança precisar de atenção ou cuidado, quem estiver mais perto acode. A dica serve também para as famílias, que podem combinar de ir juntas a um parque, ajudando-se mutuamente. 

Mayume diz ainda que ao aprender o que machuca no mundo, aprende-se também a respeitar o outro. “Se a criança só anda em locais emborrachados, onde cai e não machuca, ela não sente uma consequência, não vai se preocupar com o tombo. E vai além dela mesma, porque se ela sabe que cair dói, quando for empurrar um amigo, também vai entender que pode machucar o outro”, explica. 

Na sua vivência diária com 150 bebês e crianças, ela sabe que além de ter que separar algumas brigas, o adulto que permite a brincadeira ao ar livre pode presenciar momentos de interação lindos, com uns cuidando dos outros. “É comum ao verem um amigo chorando, a criança perguntar o que aconteceu, onde está doendo, tentar ajudar”, orgulha-se a diretora.

Ana Cláudia, do Alana, concorda que os momentos ao ar livre ajudam a criar vínculos e ensinam a todos os envolvidos. “Juntos, crianças e adultos, fortalecem assim sua conexão com a natureza e constroem resiliência, quando os riscos são vivenciados de forma segura e consciente, ao invés de serem uma barreira intransponível”, diz. 

Autora: Luciana Alvarez

* Conteúdo produzido e editado pelo Porvir

Maneiras criativas de compartilhar trabalhos desenvolvidos na escola ao longo do ano

Os projetos e aprendizados não deveriam ficar restritos ao ambiente escolar. É importante reunir a família e a comunidade para celebrar e compartilhar trabalhos da escola que foram desenvolvidos ao longo do ano letivo. Com uma boa dose de criatividade, é possível fazer esse trabalho de forma divertida, e ainda promover novas aprendizagens.

Embora seja comum realizar eventos de culminância nos meses de novembro e dezembro, o Colégio Dom Pedro, em São Paulo (SP), não esperou pelo final do ano para compartilhar com a comunidade os projetos desenvolvidos pelos estudantes. Ao longo de 2023, enquanto desenvolvia atividades do Programa de Aprendizagem Criativa da Faber-Castell Edux, chamou os pais quatro vezes para participarem de oficinas mão na massa, conta Hanaí Brito, mãe de uma aluna do 2o ano do ensino fundamental. 

“O tema era sempre uma surpresa, não ficava explícito no convite. No último, depois de assistir a um vídeo, a gente teve que imaginar um novo planeta e o que encontraria lá”, lembra Hanaí. “Levei meu marido, que é o padrasto da Laura, e o meu enteado. Foi muito inclusivo para a nossa configuração de família. Criamos um foguete”, diz a mãe, que percebe o quanto a participação conjunta em atividades escolares é importante para a menina.  

Acervo: Faber-Castell Edux

No caso, por se tratarem de projetos de aprendizagem criativa, soltar a imaginação nos eventos com as famílias foi uma forma de ajudar os pais a compreender o poder desse tipo de trabalho, segundo a coordenadora de Projetos Integrados e Aprendizagem Criativa do Dom Pedro, Alissandra Rocha. “Os encontros não têm nada de teoria: os pais são recebidos como se fossem os alunos. Eles saem com o projeto na mão. Nesse momento, ouvem as opiniões e aprendem com seus filhos, que muitas vezes sabem coisas que os pais desconhecem, como ligar um led”, menciona. 

Diferente das disciplinas tradicionais, que envolvem provas, notas e desempenho mínimo esperado, os projetos revelam mais sobre o desenvolvimento de habilidades, como resolução de problemas. “Com a aprendizagem criativa, as famílias entendem que não há cobrança por desempenho, mas sim um desenvolvimento pessoal e singular. Os pais não comparam seus filhos entre si ou com os colegas. Cada criança precisa alcançar seu próprio patamar”, explica Alissandra. 

Como uma forma de valorizar o desenvolvimento dos estudantes nos projetos de aprendizagem criativa, no Externato Santo Antônio, em São Paulo (SP), foram os próprios adolescentes dos anos finais do ensino fundamental que conduziram as reuniões com os pais para compartilhar trabalhos da escola. “Lançamos o desafio, e eles aceitaram. Foram os estudantes que apresentaram tudo. Passaram os slides, as fotos e os portfólios e deram as explicações, com as professoras só observando. E foi muito legal”, conta a coordenadora do ensino fundamental da instituição, Telma Peixinho Bento. 

As atividades de aprendizagem criativa têm sempre um produto final, mas só o produto não dá conta de mostrar a riqueza do processo. Como a proposta é diferente do ensino tradicional, com o qual os pais estão mais acostumados, a diretora defende que é preciso um esforço para explicar tudo o que os estudantes aprendem. “Não tem um livro, com a lição 2, página 14, ou algo assim. Mas o envolvimento dos estudantes é incrível, eles amam participar e puderam demonstrar isso [durante a reunião]”, afirma Telma. 

Como a escola participa do Programa de Aprendizagem Criativa da Faber-Castell Edux, o trabalho também culminou numa mostra cultural, cujo tema foi a aprendizagem criativa. Cada idade, apresentando do seu jeito. “No infantil, as professoras fizeram oficinas com os familiares. No 2o. ano, os estudantes apresentaram uma peça teatral, em que até os cenários foram feitos por eles”, cita a coordenadora. 

No Colégio Vila Aprendiz, em Recife (PE), a busca por participação de toda a comunidade é uma atitude constante, que faz parte do DNA da escola. Segundo Gabriela Camarotti, diretora pedagógica do fundamental, o diálogo constante entre escola e comunidade, que se dá em diversas oportunidades, é essencial para construir aprendizagens para a vida. 

Com a integração das atividades do Programa de Aprendizagem Criativa da Faber-Castell Edux, não seria diferente. “Temos sempre as Feiras de Conhecimento – a deste ano foi especialmente linda. Cada turma apresentou um projeto de Aprendizagem Criativa, tudo de forma bem espontânea”, relata.

O colégio também desenvolve várias ações no sentido de integrar, além das famílias, os funcionários, ex-alunos e vizinhos da escola. Este ano, por exemplo, foi lançado o podcast “Papo de Vila”. “É um podcast com alunos, ex-alunos, familiares e profissionais de educação. É uma forma de mostrar a escola, contar nossa história, o que fazemos”, conta a diretora. 

A instituição também costuma ter encontros frequentes para compartilhar trabalhos da escola com a comunidade, seja em cafés culturais ou em espaços públicos, como a praia. “No ‘Vila na Praia’, a gente leva frutas diferentes e propõe jogos. É uma forma de os pais da escola conviverem entre eles e com a equipe escolar. Às vezes até com os próprios filhos, porque muitos têm uma rotina tão corrida que faz bem separar esse tempo para ficar com a própria família”, diz Gabriela. 

Acervo: Faber-Castell Edux

Outra experiência interessante para envolver as famílias na rotina escolar é a realização de eleições. No colégio Unifan, em Natal (RN), a abordagem tem sido uma estratégia de sucesso para que os pais tomem conhecimento da vida escolar dos filhos. “A gente faz um convite para que cada grupo de pais eleja um representante. Essas pessoas se tornam os propagadores das nossas informações, ajudam a lembrar das agendas dos eventos”, explica Melina Saldanha, diretora da instituição. Os representantes também servem de interlocutores para levar as reivindicações e as preocupações dos pais para a direção. 

A eleição não fica restrita ao universo dos adultos: todos os anos, os estudantes escolhem seus representantes. O processo, com várias chapas e propostas, mobiliza diversos conhecimentos: os mais velhos realizam pesquisas e aprendem princípios de estatística, por exemplo. 

Em 2023, a escola fez uma parceria com a Faber-Castell Edux para ter uma disciplina de Aprendizagem Criativa. Além de promover novas aprendizagens com as atividades do programa, essa iniciativa também fortaleceu projetos antigos da escola, trazendo outras ideias para a “campanha eleitoral”. As crianças conseguiram argumentar e expressar suas ideias de maneira criativa. “Eles criaram campanhas com propostas, fizeram cartazes e publicidades sobre o dia da eleição”, relata Melina.

Segundo a diretora, a integração de diferentes iniciativas e das diferentes pessoas cria um clima geral de confiança. “Somos uma comunidade que tem de unir os interesses. Todos têm voz, mas o pensamento tem que se focar para o coletivo, não só o individual. Assim, a gente consegue trabalhar o ano todo muito próximo às famílias”, afirma ela.

Autora: Luciana Alvarez

* Conteúdo produzido e editado pelo Porvir.